Uma vez meu professor de História do Ensino Médio, nos falou de algo que jamais esqueci, estávamos conversando sobre religiões, e a pseudo reencarnação, vida após a morte e todas essas expressões que as religiões tentam explicar sobre a razão da vida e a morte. A questão central é a não aceitação da própria morte, a finitude. De que depois desta vida, haverá mais, um prêmio de consolação ou de castigo, mas nunca o fim total. Aceitar que o mundo continuará existindo, outras vidas surgirão e você voltará ao pó até desaparecer para sempre, é extremamente ofensivo, consequentemente nós não aceitamos isso de forma alguma, e ao longo da nossa história, temos inventado diversas lendas religiosas que tentam aplacar essa verdade, entranhar em nossos corações como algo impossível, fora de questão.
Até no decorrer da vida fazemos vista grossa à morte que nos rodeia, as pessoas morrem ao nosso redor, mas não nos atemos de que está mais próxima de nós a cada suspirar, o fato de sabermos que podemos chegar ao fim a qualquer momento. Porém de forma esdrúxula, nós glorificamos o óbito de terceiros, quão mórbido somos verdadeiramente, basta uma tragédia acontecer, para se buscar avidamente por respostas fúteis e falsas declarações de pêsames. Gera sim uma atmosfera triste, a reflexão egoísta se a tragédia tivesse se abatido sobre você ou seus próximos.
Não aceitamos a morte, e mesmo assim a reverenciamos de uma forma ou de outra. Nos estudos arqueológicos os primeiros indícios que distinguiram os hominídeos, primeiros espécimes "humanos", o fator determinante de sua humanidade que o separasse do resto dos animais, foi a homenagem que estes prestavam aos seus mortos, enterrando-os e sacramentando sua passagem finita na terra. Isso há milhares de anos atrás, e o que mudou, tirando algumas formas arquitetônicas mais bem delineadas nas capelas mortuárias, podemos prestar nossas homenagens repetitivamente, incongruentes, também por redes sociais... Será realmente que precisamos ressaltar a todos do meio social sobre os lamentos da morte que sequer nos diga respeito? Uma simples oração, pedido de paz àqueles que estão agora tentando absorver a perda, chorar a ausência de seus amados entes que deixaram nossa existência.
Sobre morte, sempre nos remetemos ao trauma, sim pois este representa ruptura, quebra repentina de algo relevante a nossa vida. E mesmo essa perda se torna mais significativa devido ao rompimento inesperado de algo que amamos, não apenas com a morte, em qualquer situação onde você se vê subtraída de algo tão subitamente. Por isso é difícil nos desprender, superar qualquer perda, o fim de qualquer coisa representa de certa forma um trauma, quando não é desejado. Mas a vida é isso, é infinita em cada sublime segundo, deve ser prestigiada e principalmente respeitada, nós já sabemos muito bem que a negligência as vezes pode ter consequências fatais. Mesmo aquela emocional. O que nos conforma é a nossa memória, pois enquanto estivermos vivos, a vida florescerá de nós mesmos, nossos entes continuarão conosco, suas lembranças, suas marcas deixadas, sempre hão de refletir alguns momentos da vida.
"Pois assim como o material do carpinteiro é a madeira, e do escultor é o bronze, a matéria-prima da arte de viver é a própria vida de cada pessoa."
Sem final triste, nem feliz.
Jo
Até no decorrer da vida fazemos vista grossa à morte que nos rodeia, as pessoas morrem ao nosso redor, mas não nos atemos de que está mais próxima de nós a cada suspirar, o fato de sabermos que podemos chegar ao fim a qualquer momento. Porém de forma esdrúxula, nós glorificamos o óbito de terceiros, quão mórbido somos verdadeiramente, basta uma tragédia acontecer, para se buscar avidamente por respostas fúteis e falsas declarações de pêsames. Gera sim uma atmosfera triste, a reflexão egoísta se a tragédia tivesse se abatido sobre você ou seus próximos.
Não aceitamos a morte, e mesmo assim a reverenciamos de uma forma ou de outra. Nos estudos arqueológicos os primeiros indícios que distinguiram os hominídeos, primeiros espécimes "humanos", o fator determinante de sua humanidade que o separasse do resto dos animais, foi a homenagem que estes prestavam aos seus mortos, enterrando-os e sacramentando sua passagem finita na terra. Isso há milhares de anos atrás, e o que mudou, tirando algumas formas arquitetônicas mais bem delineadas nas capelas mortuárias, podemos prestar nossas homenagens repetitivamente, incongruentes, também por redes sociais... Será realmente que precisamos ressaltar a todos do meio social sobre os lamentos da morte que sequer nos diga respeito? Uma simples oração, pedido de paz àqueles que estão agora tentando absorver a perda, chorar a ausência de seus amados entes que deixaram nossa existência.
Sobre morte, sempre nos remetemos ao trauma, sim pois este representa ruptura, quebra repentina de algo relevante a nossa vida. E mesmo essa perda se torna mais significativa devido ao rompimento inesperado de algo que amamos, não apenas com a morte, em qualquer situação onde você se vê subtraída de algo tão subitamente. Por isso é difícil nos desprender, superar qualquer perda, o fim de qualquer coisa representa de certa forma um trauma, quando não é desejado. Mas a vida é isso, é infinita em cada sublime segundo, deve ser prestigiada e principalmente respeitada, nós já sabemos muito bem que a negligência as vezes pode ter consequências fatais. Mesmo aquela emocional. O que nos conforma é a nossa memória, pois enquanto estivermos vivos, a vida florescerá de nós mesmos, nossos entes continuarão conosco, suas lembranças, suas marcas deixadas, sempre hão de refletir alguns momentos da vida.
"Pois assim como o material do carpinteiro é a madeira, e do escultor é o bronze, a matéria-prima da arte de viver é a própria vida de cada pessoa."
Sem final triste, nem feliz.
No comments:
Post a Comment