- Onde estão as flores?
Ela pergunta ao rapaz empoado a sua frente. Ele a olha com um desdém disfarçado de charme.
- Já não sou suficiente? Eis sua resposta.
Pois bem, não é neste pé que estamos hoje? Onde estão as benditas flores afinal?
Eis a resposta, elas não existem mais, foram acrescidas ao depósito de raridades sem apoio patrimonial. Seu papel ficou restrito ao passado, sua relevância ao esquecimento...
O romantismo é um acessório de moda, é uma camisa com florzinhas na estampa, é um batom rosa, é uma música cheia de melodias açucaradas para curar falta de atitude no amor. É uma propaganda bem elaborada para inspirar desejos supérfluos, é o contexto de uma novela de época sem época, é uma historinha de contos de fadas sem base moral. Banal.
As mulheres ainda persistem em sua carência desmedida pelo príncipe encantado, encontrar o tão falado amor. Os homens se aproveitando disso entoam cantadas ridículas para comerem desses frutos tão desesperadamente ofertados.
Tudo foi atropelado, exposto, explorado... Ficou sem definição.
Ninguém se entende mais, os sentimentos ganharam cores confusas, psicodélicas...
Há uma névoa, uma carência que impede algumas pessoas de perceberem o buraco negro o qual estão prestes a se "jogar", numa relação sem sentido, ou seja, quando amamos estamos apenas revelando parte desse amor a nós mesmos com uma necessidade faminta. Queremos nosso próprio amor espelhado em outra pessoa.
Contudo, ainda existe sim o amor cortês, não aquele proveniente da côrte do Romantismo, mas sim aquele que respeita, altruísta, intenso e suave ao mesmo paladar, onde o maior sentido é o objetivo de tornar feliz o ser amado. Vejo no olhar enrugado e brilhante de um casal idoso, onde a paciência e a cumplicidade deram lugar aos arroubos da juventude apaixonada, vejo no olhar travesso de uma criança que começa a aprender a amar todos aqueles que lhe dedicam cuidados, a facilidade de amar de uma criança vem do pedaço de céu que ainda não arrefeceu em seu coração juvenil.
Como em todos nós, um firmamento de emoções internas, e infelizmente nos remetemos aos sentimentos menos celestiais, desejando algo que sequer sabemos ao certo o que é, somos tão simples até nos nossos desejos, mas um pouco cegos também.
Quando penso no amor, logo lembro da minha mãe e consequentemente penso na palavra "incondicional", pois é assim que minha mãe ama, à mim, meus irmãos e todos aqueles que ela acolhe, ela também é uma força da natureza, portanto nada nela é mediano e sem profundidade, por isso tamanha intensidade, já tivemos momentos tempestuosos, pois afinal de contas sou filha, e parte dela vive em mim. Minha maior certeza é sua amizade, seu amor, sua proteção que tornaram meu senso de liberdade tão forte, consequentemente sou uma pessoa independente, consigo viver longe de grande parte das pessoas que mais amo, consigo suportar tempestades, imprevistos, visualizar problemas sem me abater. Porém um dia, infelizmente, duvidei de seu amor, e foi assim que eu caí na minha própria desgraça, sofri por me deixar levar pelo medo, tentei buscar apoio em outras pessoas no qual contribuíram ainda mais na minha dor, foi um período em que acreditei não ter mais forças, não ter possibilidade de seguir por achar que não havia mais chão para mim, onde minha dor me consumia sugando minha vitalidade, minha saúde e minha perseverança, mas eu aprendi, ressurgi das chamas como uma fênix, não sem antes consolidar minha relação com minha mãe e comigo mesma, enfrentei meus próprios demônios, ainda os enfrento de vez em quando é claro. Passei meses com o coração fechado para o amor, apenas a fúria alimentava minha razão e a indiferença equilibrava minhas atitudes, esses períodos me ajudaram imensamente a crescer, a conhecer quem eu sou e quem posso me tornar. O amor de minha mãe me alimenta a alma, me acalma e me alerta para as vicissitudes da vida, mesmo distantes por milhares de quilômetros, ela é parte do meu coração e minhas ações são permeadas por ela. E é por causa dela que eu acredito no amor.
Jo
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