Wednesday, September 05, 2012
Olhar
Há alguns domingos atrás, estava eu e meu namorado passeando pelo centro de Caxias por volta das 20hs quando vi rapidamente, um casal já na casa dos cinquenta e poucos anos, eles caminhavam sorrindo com uma leveza e despreocupação vigente, o marido embalava a esposa nos braços enquanto atravessavam a rua com mais um grupo de pessoas. Isso me levou a refletir sobre os sabores e sensações que a vida nos presenteia, não apenas através de experiências pessoais, mas bem como se pararmos para absorver o que há em nosso redor. E na maturidade do ser. Se eu for sortuda o suficiente para chegar aos cinquenta anos, quero continuar tendo aquele sorriso pleno que vi no rosto daqueles felizes desconhecidos, sem nada dever, nem pensar, somente viver um momento por sua singeleza, e quem sabe feliz...
Friday, August 31, 2012
Fairy Tales
Fairy Tales, os populares Contos de Fadas, estórias fantásticas que alimentam a imaginação da forma mais colorida e extraordinária possível!
Sempre adorei ler, a leitura me acompanhou em todos os grandes e mínimos momentos de minha trajetória vital, e em algumas ocasiões estranhas também, onde o magnetismo de um romance me virava a razão e fazia eu cometer as maiores esquisitices, apenas para citar, um momento apertado em um toilet de avião, pois ainda não consigo ler quando estou na poltrona em pleno voo, não sei o porquê, sinto uma densa dor de cabeça... Ler à luz de velas, lanternas, ou visor de celular, qualquer iluminação por mais incomum que fosse servia aos meus intentos pela leitura. E assim por diante!
Ultimamente porém, me tornei mais seletiva quanto as minhas preferências literárias. Criei horror a livros relacionados à vampiros, fadas, lobisomens misturados a romances com adolescentes sem personalidade e utopia virginal, também aos de auto-ajuda. Ainda gosto de ficção, mas com no mínimo uns 150 anos de impressão, esses escritos pós Crepúsculo, são o lixo do lixo literário, o qual meninas e mulheres lêem avidamente sem nenhum escrúpulos de crítica, bom gosto, e uma tremenda ilusão utópica romanceada. Blé.
Adoro estórias fantásticas, ou seja, contos. Esses têm sindo os meus favoritos, hoje li uma coletânea de Angela Carter, ela é incrível e tenta manter os aspectos fieis ao conto original da oralidade popular, a riqueza do linguajar, expressões, trejeitos dos personagens, fora o caráter democrático de contos do mundo inteiro. Outro contista bastante original que eu simplesmente confiaria as lentes dos meus óculos, seria Neil Gaiman, ele é o cara para contos de terror, com um sabor de mistério e piada escarnecedora, sempre com um estilo inovador de escrever suas obras, um dos poucos pertencentes a essa escola indistinta contemporânea, que ainda não viajou na maionese com romances fracos, sem originalidade que são vendidos em massa para um povo que "putz"... Vou me abster de mais críticas raivosas a esse respeito.
Os livros sempre me salvaram, do tédio, da ignorância, de companhias erradas, de tristezas, de pensamentos e lembranças insidiosas... Enfim, quando leio um "conto de fadas", com seus mistérios, um passado bucólico longe, muito longe de minha realidade, onde na maioria das histórias os personagens vivem uma vida sofrida e através da esperteza conseguem evoluir e encontrar seu final feliz, nesses personagens não há essa complexidade de sentimentos, de problemáticas confusas que a psicologia atual acusa de stress global ou seja lá as tantas nomenclaturas pra tanta superficialidade de pensamentos. Que inútil seguir dúvidas, que inútil seguir recordações de felicidades passadas, que inútil se arrepender, que inútil ficar na frente de um computador assistindo videos de youtube, postagens de facebook, que inútil se deixar levar por impressões alheias, quanta inutilidade e hipocrisia, ainda assim continuamos nessa inutilidade... Que pena. Voltarei aos livros e deixarei que levem minha mente o mais longe desse carnaval social... Salva dessa ausência de préstimo...
Jomara Lopes
Thursday, March 15, 2012
Tempo x Tempo
No dia 24 de fevereiro eu aniversariei 5 anos morando aqui no Rio Grande do Sul. Mais precisamente em Garibaldi, já a caminho do sexto ano, contudo sou obrigada a confessar que apenas agora fui levada a considerar como real a possibilidade de retornar a minha casa materna. Não por desejar, mas levada pelas circunstâncias adversas as quais passei nos últimos meses. Um problema aqui, outro "pepino" acolá, foram reunindo formas e agregando peso em minhas costas, que até um tempo atrás achei que pudesse suportar qualquer coisa.
Vamos ao início de tudo, mas não tão longe! Que tal meus 15 anos? Sim, meus doces 15 anos de idade, adolescente vaidosa, viciada em livros de todos os tipos, cheia de amigos, nunca sozinha, nem precisava sair de casa, vinha sempre alguma amiga pra dar risada comigo, sempre! Não vou dizer que não tive problemas, sim algumas dores, apenas o necessário para aprender a viver, porém o colo da minha mãe cicatrizava qualquer ferida, e em 2 minutos o problema deixava de existir... Naquela época eu não caía, eu não chorava com dor no coração, recordando agora, beirava a superficialidade comparado aos anos seguintes e seus desdobramentos. Por ser tão jovem e principalmente por simplesmente ignorar, não saber mais sobre o lado mais difícil da vida, posso dizer que eu era forte, muito forte. Mais adiante, cinco anos depois, cá encontro me, aos 20 começando a perceber a vida e temê-la, entretanto, ainda sem saber ao certo o quê.
A adaptação. Mudanças, a ausência dos amigos, de ter alguém para conversar, confiar. Perceber que as pessoas podem ser más, mesmo que você não faça qualquer coisa ruim, ser rotulada, julgada simplesmente por ser diferente. "Por sorrir demais". Então mais um ano e o choro veio, aquele choro que implora por um colo, aquele choro que não o tem, chorar sozinha também dói. Muito.
Mas isso já passou, embora deva confessar ainda que eu me apoiei erroneamente em pessoas que também podiam estar carregando seus fardos sem precisar acrescentar os meus.
O que quero dizer com tudo isso, é que apesar do que dizem quando se referem a ter coragem para morar longe da família, viver sozinha, se sustentar e blá blá blá, eu não me tornei mais forte nem nada disso tão digno de admiração. Apenas posso afirmar que me tornei mais sensível, entendi o estado de ser fraca, aprendi a rezar implorando a Deus não para que resolvesse meus problemas, mas que me desse forças para encará-los. Afinal nem toda vitória é garantida na luta pela vida, certas lições valiosíssimas, vêm em forma de dissabores... Quer você goste ou não. E eu nunca apreciei hahaha, porém compreendi. Também aprendi a desabafar, explodir, botar tudo pra fora, porque tristeza trancada demais acaba se convertendo em doença, com saúde não se brinca, se mantem! Ficar triste e doente ao mesmo tempo é extremamente difícil, tornando a tentativa de se reerguer mais trabalhosa e dolorosa. Tudo isso parece um paradoxo, pode até ser, mas quando conseguimos enxergar nossas próprias fraquezas é aí que podemos sim vencer, uma vez que procuramos remediar o nosso próprio calcanhar de Aquiles.
Minhas palavras começam a ficar cada vez mais redundantes quando tento me explicar, mas a vida, não somente a minha, como a de todos, é ridiculamente paradoxal, cheia de clichês e estranhezas. Ainda bem, pois graças a esse fluxo inconstante é que o mundo é uma miscelânea de tudo quanto é maravilhas, diversos gostos e sabores, pessoas e suas escolhas... E também tem o Tempo, ó o tempo! hahaha você pode lutar contra tudo, menos contra o tempo, ele é realmente esmagador, surpreendente. Observe-se agora, e daqui uns cinco anos, recorde este momento de observação de si, e compare, com certeza as mudanças serão gritantes. Isso me consola, pois mesmo rodeada de percalços negativos, o tempo os levará e quem sabe, se transformarão em doces consequências.
Posso não ser aquele rochedo à beira mar sofrendo erosão e toda sorte de fenômenos naturais que desgastam pouco a pouco sua estrutura, e que mesmo assim se mantem firme por séculos. Eu não vou durar séculos, se vier uma ventania muito forte eu vou cair, contudo quando o vento forte passar, vou me reerguer naturalmente, machucada talvez, mas normal como todo mundo.
Jomara Lopes
Sunday, January 29, 2012
Considere
Considere,
Embora a verdade às vezes possa vir a ser dolorosa, certas advertências machucam feridas que estão em período delicado de cicatrização, então tenha cuidado, no mínimo.
Que mesmo que o conselho seja bom, o mais sensato é não subestimar os sentimentos alheios. Mesmo que sejam palavras de coração, não é através dele que o outro sobrevive.
Toda situação por mais adversa que seja, pode ser contornada, resolvida, se você não se deixar levar demais por preocupações fúteis.
E respeitar os sentimentos dos outros é primordial. Deveria ser lei. Tratando apenas com a verdade.
Aprecie essa música, que tem um tom de recomeço e ao mesmo tempo de despedida, um adeus à tudo aquilo que precisa ser esquecido, e um começo ao que precisa ser mantido, sempre. Como o amor. Seja ele qual for, por quem for, sendo amor de verdade, já é tudo.
O amor nunca morre.
Jo
Que mesmo que o conselho seja bom, o mais sensato é não subestimar os sentimentos alheios. Mesmo que sejam palavras de coração, não é através dele que o outro sobrevive.
Toda situação por mais adversa que seja, pode ser contornada, resolvida, se você não se deixar levar demais por preocupações fúteis.
E respeitar os sentimentos dos outros é primordial. Deveria ser lei. Tratando apenas com a verdade.
Aprecie essa música, que tem um tom de recomeço e ao mesmo tempo de despedida, um adeus à tudo aquilo que precisa ser esquecido, e um começo ao que precisa ser mantido, sempre. Como o amor. Seja ele qual for, por quem for, sendo amor de verdade, já é tudo.
O amor nunca morre.
Jo
Thursday, January 05, 2012
Para 2012
Primeiros dias do ano. Metas, planos, desejos, e aquela energia de algo novo, esperança fortuita de que as mazelas passadas não se repetirão neste ano vindouro. Como não desejar o melhor? E esperar ardentemente que a felicidade bata à porta já no primeiro dia do ano?! Somos naturalmente auspiciosos, quando se trata de nosso próprio benefício, é claro. Afinal, tenho notado um egoísmo latente nesta sociedade. A bondade virou propriedade privada, apenas para poucos.
Já foram inventadas até expressões de egoísmo, que tal ligar o "foda-se" hoje? Sim, você entendeu o que eu quis dizer. O "dane-se" também é sugestivamente atraente.
Então, as pessoas realmente desejam que alguém "se foda", "se dane"? Só porque algo deu errado, alguém não fez o que você quis, ou fez algo que você não gostou. As pessoas podem ser bem más, eu bem sei. Contudo, tratar a maldade alheia com mais maldade, mesmo que apenas desejando isso em pensamento, não seria a melhor solução. Nada mudará. O que muda, é o que você faz na sua vida, as consequências e principalmente, a forma como você encara a vida, seus percalços, os problemas, o quanto eles te abatem e o quanto você o permite. Se não gosta de mentir, não minta e dê risada da falta de sinceridade dos outros, simples e eficiente.
A inveja? Não se estresse com olho gordo em cima de você, é apenas sinal de sucesso. Também sei que por mais que nos esforcemos em algumas coisas, às vezes dará errado e isso é frustrante. Mas há sempre outras oportunidades. O mais belo da vida é essa linearidade, é o deus Chronos, personificação do tempo, muitas vezes esclarecendo respostas para questões que palavras jamais responderão. Diria que a maior parte de nosso sofrimento, é a falta de compreensão, de paciência, essa pressa que tudo se resolva logo, que a dor passe o quanto antes, etc etc, tudo de nós, e egoísmo obviamente.
Eu queria ser mais paciente. Queria ser mais segura. Mais esperta para algumas coisas. Menos para outras. Há certos aprendizados que deveríamos assimilar e outros, definitivamente não. Queria poder não amar tanto, assim não sentiria tanta saudade. Mas o amor salva. Do abismo da indiferença, do vazio, da solidão de si mesmo, dos dissabores... E claro, do egoísmo. Quem ama não consegue ser totalmente egoísta.
Logo, será que o amor está se perdendo? Fragmentando-se? Ou sendo vencido por esse egoísmo tão presente em tudo?
Por favor não! Não tenho a solução para tal tristeza, um apelo para que amem mais talvez, e pensem mais nos outros com certeza. Quem sabe eu esteja apenas um pouco abalada, triste ou na TPM. Porém gostarei muito que essa semente vingue pelo menos no coração de alguém que por ventura ler estas minhas palavras, pois são afetuosamente escritas, num acordo entre razão e sentimento.
Que 2012 seja o ano do amor.
Jomara Lopes
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