Sunday, October 15, 2017

Tristezas

O melhor conselho que já recebi foi de uma grande amiga que uma vez me disse; escreva, se você não se sente bem, apenas escreva. Ultimamente, esta mais difícil conversar sobre certas coisas, simplesmente não consigo falar, é tanta coisa presa no peito,  tantos sentimentos, mas o pior deles é esse desânimo. Talvez escrevendo ajude um pouco...
Costumo pensar que minha viagem internacional mudou a minha vida, não exatamente, quem mudou de fato fui eu. Eu finalmente consegui ser quem eu realmente queria me tornar, encontrei pessoas que me apoiaram muito nesse processo. Depois que voltei para o Brasil eu quis manter toda essa energia gerada enquanto estive lá, mas eu não sabia que o que me esperava aqui iria minar tanto isso. A vida é esse fluxo contínuo de altos e baixos, a gente tem que ser forte, não importa como, porque sempre haverão obstáculos mais difíceis de superar.
Contudo, eu nunca achei que sentiria tão cedo a dor de uma perda... Quando eu era criança ficava imaginando como seria sentir isso depois de ir para um funeral de algum conhecido, era muito triste ver aquelas pessoas sofrendo por alguém. Porém a real tristeza é mesmo de quem passa por isso, isso nos muda de alguma forma que não dá pra explicar, um pedacinho de mim morreu com ele, o mundo parece estranho, o céu apesar de azul, as vezes parece cinza, e as estrelas parecem zombar de nós, porque elas agora guardam o segredo da vida, algo que você só consegue imaginar superficialmente.
Chorar não era suficiente, chorar se tornara algo incontrolável, passei quase um ano evitando ir à igreja porque eu não conseguia deixar de chorar, lembrando de todas as vezes que rezei por ele, para que pudéssemos nos ver de novo em breve, eu culpei Deus, eu me culpei, culpei minha mãe, culpei a vida. Mas ninguém era culpado de coisa alguma. Não temos controle sobre isso... As lágrimas caiam sem que eu pudesse evitar... A culpa está em não sabermos lidar com as adversidades, com situações que não podemos controlar, em não sabermos alcançar o que realmente queremos.
Eu passei um ano imersa em minha própria miséria, um ano de insônias, de choros noturnos, um ano sorrindo falso, fingindo, um ano de saudades, um ano em que comer e beber não tinha gosto, que tudo tinha perdido um pouco do sentido... Um ano em coma de tristeza. Há alguns meses eu rezei por ele, eu pedi perdão porque meu coração já não era mais todo dele, eu queria dá-lo para outro alguém. Espero que ele tenha me ouvido, as vezes acho que sim. Decidi que é uma bênção estar vivo, e sei que mesmo que ele não possa mais realizar todos aqueles sonhos que tinha, eu vou realizar os meus enquanto eu tiver essa chance. Eu vou amar tão intensamente quanto eu puder, eu vou lutar e trabalhar de todo coração. Quero ter minha própria família,  pra eu cuidar e amar. Porque eu sei que se ele estivesse aqui, era isso o que faria. A gente só vive uma vez...
Esse mês tem sido extremamente difícil. Me sinto cansada. Sempre tive esse senso de querer proteger os outros, mas agora eu não estou mais conseguindo, eu também quero proteção. Não quero mais ficar na frente pra apanhar. Eu me tornei covarde e egoísta, não tenho orgulho disso, não sei nem o que dizer, não tenho defesa, simplesmente acho que não tenho mais forças pra nada. Eu não queria desistir de nada em minha vida, pois sei que é apenas com grande esforço que conseguimos o melhor para nós.
Eu só queria um pouquinho de esforço por mim, só um pouquinho, pra sentir que eu também valho a pena. Mas será que sendo egoísta assim eu realmente mereço?
Só queria que essas tristezas de agora acabassem, que viessem os tempos de paz, de felicidade. Que eu voltasse a ter coragem pra não desistir...
Hoje meu coração está doendo um pouquinho mais do que o normal, eu lamento demais o luto, mas já aceitei. Hoje meu choro é só de tristeza resignada, de saudade, de piedade, de memória, misturada com minhas outras tristezas por outras pessoas que amo, umas longe na distância, mas não no pensamento,  outras longe por serem inalcançáveis no coração.
Eu mudei, continuo mudando, mas ainda tenho fé, apesar de minhas fraquezas, que tempos bons estão por vir. Eu sei que sim. Eu acredito.