Eu sinto aquela coisinha tentando me puxar pro profundo e sombrio poço da tristeza. Estou tentando não afundar.
Tive um dia tão lindo com a minha família, claro que algumas peças ainda estavam fora do lugar, mas mesmo assim quando se tem tão pouco, um pedacinho a mais já é uma dádiva e eu sou grata.
Contudo, eis meu dilema. Dificilmente eu me encontro sem saber o que fazer, esse é um desses momentos raros e eu não estou conseguindo me achar, as dúvidas, os problemas, meu coração brigam entre si e não consigo, não consigo. Eu fico parada e sinto meu coração doer. Eu sinto os abraços, os sorrisos a minha volta, eu sinto as pessoas, eu sinto tudo e sinto o nada criando uma parede entre mim e o resto do mundo. Sinto minha preciosa coragem vacilar.
Uns dias atrás levei um soco no estômago, a dor física não foi nada comparada ao gesto de quem fez, eu sei que ele se machucou mais do que eu. Isso é o que acontece quando a gente não se ama direito, a gente não consegue amar mais ninguém, pelo menos não do jeito certo.
Família é família.
A gente reconhece o amor em suas várias formas, inclusive em suas facetas mais obscuras, meu coração está dizendo que também dói no coração dele toda vez que ele tenta me afastar dele, que ele também sofre e eu tenho que entender. Mas por que só eu que tenho que entender? Igualmente dói quando faz isso comigo. Não sou de ferro.
Por que ele me afeta tanto? Mesmo estando tão longe? E se ele realmente me esqueceu?
Nós somos assim tão diferentes?
Devo deixá-lo em paz?
Mas a gente vai ter mesmo paz se a gente se deixar?
Por que ele é tão covarde?
E por que estou me acovardando?
Devo acreditar no que ele diz? Será que não estou apenas me iludindo?
Tipo de brincadeira estúpida a vida está querendo fazer comigo?
Voltei até a rezar, pedindo a Deus um sinal.
Preciso de um mísero sinal pra saber se continuo ou desisto de vez.
Para mim parece imperdoável desistir de alguém tão importante assim, de um sentimento que sobreviveu tanto tempo. Mas ao mesmo tempo e se for tudo uma ilusão minha?
Um sinal, meu Deus! Você lê blogs? Por favor leia o meu e atenda meu pedido Senhor. Sei que não tenho ido mais a igreja desde nem sei quando, ainda não consigo. Porém eu vou.
Entretanto, se é para eu esquecê-lo, me ajude...
E essa tristeza e essa ilusão de querer lutar que chega a me dar alegria. Confuso.
Sei que tudo isso eu vou superar, sempre supero, só que eu também não sou do tipo que desiste, eu sou aquela pessoa que faz o possível e impossível pelas pessoas que ama, porque é isso que me faz bem, mesmo que estes não mereçam, talvez eu tenha nascido assim porque minha vida seria assim. Não posso salvar ninguém, não posso curar meus irmãos e nem ser como minha mãe gostaria. Não posso ser como ele quer que eu seja, queria que ele entendesse que eu amo o jeito dele e não quero que ele mude, só queria que ele experimentasse um pouco mais da vida, de um jeito diferente. É quando vc experimenta um sorvete de um sabor diferente e adora, então o primeiro pensamento que vc tem é que a pessoa que vc gosta experimente também. Eu queria cuidar, viver, compartilham ser cuidada também e talz. A porcaria é que eu não consigo me expressar de forma mais simples com ele. God, I need to know what should I do...
Uma vez li um livro chamado The Velveteen Rabbit. É um conto para crianças, fala de um coelho de pelúcia que queria ser de verdade para seu dono, aí tinha essa frase:
"When you are real, you don't mind being hurt." Ser real é ser amado e amar verdadeiramente. Eu muitas vezes fui machucada e não me importei e ainda há coisas que realmente não me importo, porém vc precisa de um mínimo de retorno por isso né? Será que é egoísmo meu pedir um pouquinho disso? Não quero ser egoísta. I want to be real.
Jo, não se esqueça de si mesma.
Espero que lendo essa postagem daqui uns anos, tudo esteja bem e feliz. E viva.