Seria exagero dizer que 2015 foi o pior ano da minha vida? Sim. Houve apenas uns poucos acontecimentos que isentaram esse ano de ser um completo trauma para mim. Isso me impende também de tentar esquecer todo esse ano, seria impossível, pois deixou em mim algo que nunca vai mudar, ano após ano...
Uma grande amiga uma vez me disse, escreva, escreva sobre o que você está sentindo, coloque tudo para fora, não guarde sua dor só para si, compartilhe nem que seja apenas com o papel e depois rasgá-lo, mas escreva, vai te fazer bem. E fez. Eu tenho escrito pequenas notas, em e-mails, papeis, todos deletados, descartados rapidamente.
Tenho entretanto, tentado fugir desesperadamente da dor, das memórias ruins, da raiva, da decepção... Não é agradável "cutucar" a ferida...
No ínicio de 2015 eu estava nos Estados Unidos, no ápice de minha felicidade, estava encantada com a vida. Eu me apaixonei, conheci aquela pessoa que tocou meu coração, e em tão pouco tempo. Hoje sei que foi real porque eu não precisava de nada, já me sentia completa, eu me bastava, esse encontro de alma foi um presente de Deus. (Obrigada Deus!)
Voltei para os braços cansados e infelizes de minha mãe. Voltei porque ela precisava de mim, que já estava na hora de eu ser filha de verdade. Eu não voltei pela minha família, eu voltei por ela. Nesses anos que morei fora, a saudade já era minha companheira constante, viver longe de todos era algo que eu já estava acostumada. Porém, a necessidade e talvez Deus, me fizeram enxergar que eu devia voltar. Nunca esperei que fosse encontrar algum tipo de felicidade aqui, na verdade eu sempre procurei me divertir, cumprir as etapas que aquele momento me pedia, eu nunca realmente, me senti acomodada em lugar algum, nunca me senti em casa, portanto, não me passou pela cabeça de que eu estava voltando para "casa". Só porque eu nasci aqui, não significa que eu pertença a este lugar, eu não pertenço à lugar algum. Encaro apenas como mais uma etapa que estou tentando cumprir. Cheguei nessa cidade desorganizada, provinciana e suja, corrompida pela ganância alhéia, onde a fofoca é o passatempo predileto de muitos, mas que tem ótimos restaurantes e pessoas extremamente acolhedoras, eu não gosto daqui, mas parei de odiar. Me adaptar foi difícil demais, contudo, a vida me ensinou a ser mais tolerante, mais paciente. Diversas vezes tive que respirar fundo e dizer pra mim mesma que aquilo iria passar, e passou. O problema é que sempre vinha algo mais, algo pior. Minha mãe foi o primeiro desafio, ela estava cheia de traumas, feridas abertas, ela nem sabia como lidar comigo, já que eu não era mais a criança que ela imaginou que eu ainda era, toda mãe é assim, ela tentou domar meu tempo, minhas vontades, em razão de mãe superprotetora,nós duas tivemos que aprender uma com a outra, as diferenças, os conflitos, aceitar que o tempo passou e deixou sua marca, e nos conhecermos novamente. Então a mudança aconteceu, minha mãe se tornou mais que mãe, se tornou minha amiga, apesar de ela ainda não gostar de muitas das minhas decisões, pelo menos ela me dá sua benção, ela não me julga mais, haverão sempre conflitos aqui e acolá, isso é normal e até previsível, faz parte do tempero da vida, discrepâncias nos ensinam a refletir, a crescer.
Experiências sofridas sempre te ensinarão mais que qualquer outra coisa que possa acontecer na sua vida, esse talvez seja o lado bom da questão. Devemos estar dispostos a tirar proveito disso sempre, coisa que não é nada fácil, levando-se em conta determinadas situações que nos sugam tanta energia para sequer pensar com clareza. Mas quem disse que seria fácil?
Eu sinto que tenho tanto a dizer, mas algumas coisas vão além das palavras, me sinto modificada para sempre, essa ferida que nunca sara, essa saudade que nunca passa, essa dorzinha que as vezes fica pequena e me deixa sorrir, me ilude com alguns momentos de alegria, de depois do nada vem com força total me arrastando de volta para a escura e fria tristeza, estou falando de um luto, de um medo, de uma saudade e de um amor que tento transformar em lembrança. Mas diz na própria Bíblia, o amor nunca morre. Realmente, não morre, talvez nem mude, estou começando a acreditar que o amor é apenas "redirecionado" para outra coisa ou outro alguém, talvez compartilhado, emprestado por tempo indeterminado, ou dividido e multiplicado. Só sei que o amor não muda, cria mais raízes e frutos a compartilhar por aí à quem estiver disposto ou não a recebê-lo. Simplesmente, a única coisa infinita enquanto nós duramos nessa vida.
2015 me ensinou isso, o valor do amor, a força desse sentimento, o quanto podemos ser machucados, feridos e ainda assim sermos capazes de perdoar e continuar lutando. Não foi uma lição fácil de aprender, mas foi válido. Eu apenas ainda não sei o que fazer com isso. Por mim eu ficaria sozinha para sempre, ainda me parece o meio mais seguro de existir. Me sinto tão cansada, de doar tanto de mim, de lutar pelas pessoas, de entregar minha paz, meu perdão, minha solicitude... Sinto como se me restasse tão pouco, eu quero ao menos voltar a ter mais fé, mais esperança para sobreviver à mim mesma.
2016 começou bem, com um pouquinho de paz aqui e ali, e me deu a vontade de não me entregar facilmente aos dissabores que vierem... Tem sido menos difícil do que antes, porém continua sendo complicado... Eu quero mudanças, eu vou mudar minha vida em breve, preciso lutar por mim mesma antes de tentar ajudar qualquer outra pessoa. Quero voltar a ser feliz, fazer coisas por mim. Isso não é egoísmo, isso é um processo de recuperação, de libertação. Vai acontecer.
Uma grande amiga uma vez me disse, escreva, escreva sobre o que você está sentindo, coloque tudo para fora, não guarde sua dor só para si, compartilhe nem que seja apenas com o papel e depois rasgá-lo, mas escreva, vai te fazer bem. E fez. Eu tenho escrito pequenas notas, em e-mails, papeis, todos deletados, descartados rapidamente.
Tenho entretanto, tentado fugir desesperadamente da dor, das memórias ruins, da raiva, da decepção... Não é agradável "cutucar" a ferida...
No ínicio de 2015 eu estava nos Estados Unidos, no ápice de minha felicidade, estava encantada com a vida. Eu me apaixonei, conheci aquela pessoa que tocou meu coração, e em tão pouco tempo. Hoje sei que foi real porque eu não precisava de nada, já me sentia completa, eu me bastava, esse encontro de alma foi um presente de Deus. (Obrigada Deus!)
Voltei para os braços cansados e infelizes de minha mãe. Voltei porque ela precisava de mim, que já estava na hora de eu ser filha de verdade. Eu não voltei pela minha família, eu voltei por ela. Nesses anos que morei fora, a saudade já era minha companheira constante, viver longe de todos era algo que eu já estava acostumada. Porém, a necessidade e talvez Deus, me fizeram enxergar que eu devia voltar. Nunca esperei que fosse encontrar algum tipo de felicidade aqui, na verdade eu sempre procurei me divertir, cumprir as etapas que aquele momento me pedia, eu nunca realmente, me senti acomodada em lugar algum, nunca me senti em casa, portanto, não me passou pela cabeça de que eu estava voltando para "casa". Só porque eu nasci aqui, não significa que eu pertença a este lugar, eu não pertenço à lugar algum. Encaro apenas como mais uma etapa que estou tentando cumprir. Cheguei nessa cidade desorganizada, provinciana e suja, corrompida pela ganância alhéia, onde a fofoca é o passatempo predileto de muitos, mas que tem ótimos restaurantes e pessoas extremamente acolhedoras, eu não gosto daqui, mas parei de odiar. Me adaptar foi difícil demais, contudo, a vida me ensinou a ser mais tolerante, mais paciente. Diversas vezes tive que respirar fundo e dizer pra mim mesma que aquilo iria passar, e passou. O problema é que sempre vinha algo mais, algo pior. Minha mãe foi o primeiro desafio, ela estava cheia de traumas, feridas abertas, ela nem sabia como lidar comigo, já que eu não era mais a criança que ela imaginou que eu ainda era, toda mãe é assim, ela tentou domar meu tempo, minhas vontades, em razão de mãe superprotetora,nós duas tivemos que aprender uma com a outra, as diferenças, os conflitos, aceitar que o tempo passou e deixou sua marca, e nos conhecermos novamente. Então a mudança aconteceu, minha mãe se tornou mais que mãe, se tornou minha amiga, apesar de ela ainda não gostar de muitas das minhas decisões, pelo menos ela me dá sua benção, ela não me julga mais, haverão sempre conflitos aqui e acolá, isso é normal e até previsível, faz parte do tempero da vida, discrepâncias nos ensinam a refletir, a crescer.
Experiências sofridas sempre te ensinarão mais que qualquer outra coisa que possa acontecer na sua vida, esse talvez seja o lado bom da questão. Devemos estar dispostos a tirar proveito disso sempre, coisa que não é nada fácil, levando-se em conta determinadas situações que nos sugam tanta energia para sequer pensar com clareza. Mas quem disse que seria fácil?
Eu sinto que tenho tanto a dizer, mas algumas coisas vão além das palavras, me sinto modificada para sempre, essa ferida que nunca sara, essa saudade que nunca passa, essa dorzinha que as vezes fica pequena e me deixa sorrir, me ilude com alguns momentos de alegria, de depois do nada vem com força total me arrastando de volta para a escura e fria tristeza, estou falando de um luto, de um medo, de uma saudade e de um amor que tento transformar em lembrança. Mas diz na própria Bíblia, o amor nunca morre. Realmente, não morre, talvez nem mude, estou começando a acreditar que o amor é apenas "redirecionado" para outra coisa ou outro alguém, talvez compartilhado, emprestado por tempo indeterminado, ou dividido e multiplicado. Só sei que o amor não muda, cria mais raízes e frutos a compartilhar por aí à quem estiver disposto ou não a recebê-lo. Simplesmente, a única coisa infinita enquanto nós duramos nessa vida.
2015 me ensinou isso, o valor do amor, a força desse sentimento, o quanto podemos ser machucados, feridos e ainda assim sermos capazes de perdoar e continuar lutando. Não foi uma lição fácil de aprender, mas foi válido. Eu apenas ainda não sei o que fazer com isso. Por mim eu ficaria sozinha para sempre, ainda me parece o meio mais seguro de existir. Me sinto tão cansada, de doar tanto de mim, de lutar pelas pessoas, de entregar minha paz, meu perdão, minha solicitude... Sinto como se me restasse tão pouco, eu quero ao menos voltar a ter mais fé, mais esperança para sobreviver à mim mesma.
2016 começou bem, com um pouquinho de paz aqui e ali, e me deu a vontade de não me entregar facilmente aos dissabores que vierem... Tem sido menos difícil do que antes, porém continua sendo complicado... Eu quero mudanças, eu vou mudar minha vida em breve, preciso lutar por mim mesma antes de tentar ajudar qualquer outra pessoa. Quero voltar a ser feliz, fazer coisas por mim. Isso não é egoísmo, isso é um processo de recuperação, de libertação. Vai acontecer.