Tuesday, August 12, 2014

Poder.

Minha vida é representativamente desencadeada pelos meus "momentos". As vezes eufóricos, viciosos, nostálgicos, ociosos, despertos, iluminados, apagados, tristes, chorosos, felizes, vazios, transbordantes. Talvez você que esteja lendo cada um desses adjetivos não faça a menor idéia do que eu quero dizer, mas cada palavra aqui escrita, significa especialmente, um momento que tentei a todo custo ao menos descrever em uma única palavra. Se você for pensar na sua vida, e em um momento em particular, pode tentar descrevê lo, porém palavras e palavras não passam a sensação de algo vivido. De uma lembrança por mais insignificante que seja. Pode ser que eu esteja super valorizando o meu cotidiano, mas pecado seria não valorizar sequer remotamente, uma bênção que me foi dada. A de viver.
Hoje estou emocional demais. Acabei de terminar de ler um livro que só não esgotou até a última gota dos meus canais lacrimais, pois essa fonte me parece ilimitada.
Não pretendo falar sobre o livro, mas apenas salientar o que ele despertou mais forte do que nunca, em mim. A gratidão, e a miséria que há em nós quando não somos gratos pela dádiva que somos abençoados e que está na nossa frente toda vez que nos olhamos no espelho, a dádiva de ter poder. De poder seguir, de poder levantar todo dia e decidir o rumo da própria vida, de poder decidir quem amar, quem esquecer, de poder ficar triste e depois sorrir, de poder ajudar os outros, de poder se ajudar, de poder se esforçar o máximo por algo que nos é dificultoso e mesmo assim sair vitorioso, não existe vitória sem esforço, sem luta, e nós temos esse poder.

https://www.youtube.com/watch?v=nwyU1yrRaes

Saturday, August 02, 2014

Coraticum

Existe este sentimento que todos falam, que todos admiram e ao mesmo tempo contestam ardorosamente. Está em tudo e em todos, na religião, na família, nos amigos, nos desejos, nos sonhos, em nós...
Sim, é de amor que quero falar. Não tenho a pretensão de tentar descrevê-lo, pois é algo além de qualquer palavra e qualquer significado, devido a sua particularidade e universalidade. Está em tudo, mas se centra especificamente em nós.
Ainda tenho tanto que aprender sobre a vida, e principalmente sobre o meu coração. Ainda continuo romantizando as noções do amor, continuo acreditando demais nas pessoas e me ferindo com elas, continuo buscando respostas sinceras, quando o maior desafio é manter uma palavra honesta, continuo sonhando e buscando meus sonhos, escolhendo os caminhos mais difíceis, tentando seguir o meu coração. Esse "traidor" que vez ou outra me deixa sem chão, me faz sofrer como se fosse na carne uma dor meramente sentimental. Não posso falar de amor com exatidão, contudo, posso esmiuçar com delicadeza e conhecimento de causa sobre as desventuras de um coração partido. Um coração que já foi partido algumas vezes nessa vida, e ainda tem gente que diz que por ser jovem ainda vou levar mais algumas batidas, que isso é apenas o começo. Sinto até arrepios só de pensar! Eu não quero mais sofrer, mas não posso desistir do amor, querer sofrer ninguém quer e mesmo assim se eu tiver que lutar, eu lutarei por tudo aquilo que meu coração disser que vale a pena.
Porém, não é apenas aquele amor carnal que machuca meu coração, amores em geral fazem isso com a gente, os de amigos, quando confiamos tanto em alguém e essa pessoa nos faz algo inesperado que nos desaponta, isso também dói... Quando investimos em algo com toda a nossa energia, às vezes dinheiro, tempo e tudo mais e esse algo dá errado, quebra tudo e inclusive nós mesmos. Acho que dedicar amor à algo ou alguém é dedicar parte de nós mesmos, e por isso esperamos que o retorno seja sempre positivo, já que a aposta é alta, nós estamos em jogo também. Amar dói e também é o maior prazer que existe no universo. Amar faz bem, rejuvenesce, nos desenvolve como pessoas, nos enobrece, há quem diga que nos deixa violentos, inseguros, isso aí não é amor não, isso é paixão, essa sim te deixa sem eira nem beira, considere como um extra, uma preliminar ao amor, na maioria das vezes ela antecede ao amor, em outros ela o procede, mas está sempre por perto. Algo para se trabalhar arduamente, em ambos os casos. Sentimentos fortes geralmente nos movimentam em todos os sentidos, é visceral, podemos sentí-los na pele.
Eu sou toda coração, às vezes me guio por ele. A coragem sempre foi uma característica que admirei profundamente, originária do latim coraticum, significando coração mais ação, agir de coração. E é exatamente o que os corajosos fazem, eles desprezam na maioria das vezes o lado racional e fazem suas escolhas se baseando unicamente na emoção, no desejo, na audácia, tudo isso claro é derivado da coragem. Como eu amo essa palavra. Como eu admiro pessoas corajosas, que enfrentam seus problemas de cabeça erguida, e principalmente seus erros. Não gosto de covardia, mas também não julgo. Algumas coisas na vida dão medo, é difícil demais se jogar de cabeça no desconhecido, uma zona de conforto será sempre um caminho fácil, porém uma aventura só começa com os riscos, com os tiros no escuro, você vai tirar tanto coisas positivas quanto negativas, e isso também é uma questão de perspectiva. O amor também. Às vezes, pensamos que amamos, quando na verdade existe apenas aquela mistura de sentimentos que nem mesmo nós sabemos identificar. Penso que o amor por mais idealizado que seja, um sentimento puro, perfeito, sem egoísmo, sem defeitos, somente o de Deus, que é o pilar que sustenta esse verdadeiro amor. Nós como humanos e pecadores podemos sim amar, mas não de forma tão divina, podemos tentar alcançar esse amor altruísta, entretanto, apenas no nosso formato, errantes como somos. O amor nos revela o melhor que há em nós, é como uma gota de luz que nasce de dentro para fora, nos fortalecendo, nos movimentando para fazer o bem àquilo que amamos. É como um toque de Deus, nos purificando, como se você pudesse fazer qualquer coisa, e então você diz: do fundo do coração. Pois coragem é o resultado de um coração que é movimentado pelo amor, à algo, alguém, não importa ao quê, e sim como você vive com este sentimento, que é um presente de Deus.

Saturday, May 03, 2014

Escolhas

Escolhas.

São sempre as escolhas que te guiam tanto para o melhor quanto para o pior caminho a seguir. Obviamente! Mas quando você se propõe a decidir sobre algo que você tem a real certeza de que a sua vida vai mudar, então as coisas saem do lugar, seu coração inclusive entra num turbilhão de emoções antecipadas, sua mente trabalha furiosamente sobre as possibilidade, sobre como serão os resultados daquilo que você deseja atingir através de uma escolha. É como se fosse uma guerra, com bombardeios de emoções intermitentes, vidas e mortes de sentimentos que contra balançam enlouquecedoramente o seu cotidiano, um cotidiano que está por um fio.

Wednesday, April 09, 2014

Metade Amor, Metade Saudade

Escute a música primeiro.



Saudade

Essa palavra é minha velha amiga, uma companheira de estrada, aquela que está presente no coração dos viajantes, dos sonhadores, daqueles que desafiaram os limites da vida cotidiana para conhecer um pouco mais do mundo, talvez de si mesmo. Mas a saudade também pode ser um sintoma de nostalgia de fronteiras além da matéria, como o tempo. As memórias nos traem, nos assombram e nos acalentam...
Algum tempo atrás, li um depoimento de uma garota que morou alguns anos fora de casa, em outro país, e ela enfatizou algo que me prendeu a atenção imediatamente, sobre a forma como nos dividimos entre as vidas que tínhamos antes e a que escolhemos ter. Entre o lugar de nascimento e o lugar onde acabamos nos estabelecendo. Essa divisão é plausível sim, pois analisando bem, já não me sinto completamente Ceará, nem tampouco Rio Grande do Sul, sou um pouco dos dois, sou uma mistura, sou as minhas experiências mais sofridas e vividas, sou o amanhecer frio de junho, e o entardecer morno do sertão... Eu sou a tristeza perene por não acompanhar o crescimento dos meus sobrinhos, por perder os momentos importantes dos meus familiares, por não ter por perto o conforto materno, e a felicidade por cada dia conhecer melhor uma nova cultura, fazer novos amigos, novos lugares e novas experiências. Eu sou a solidão de quem vive só. Sou a alegria de quem é independente. Sou as minhas escolhas e também as minhas consequências, e cada dia mais escolhas, mais medos, mais divisões de mim mesma. É nessa divisão que busco a minha plenitude, a procura por mim mesma, moldando minha vida a cada escolha que faço, cada sacrifício, cada ganho. Não posso pensar em me arrepender de qualquer coisa que tenha feito, pois sem essas consequências eu não teria aprendido tanto.
Porém como diz a música, a vida que tivemos antes se foi e é difícil sem você agora, esse "você" é uma lembrança de uma vida, talvez da minha infância, daquela segurança. Sim é difícil viver sem o suporte de quem nos ama, sem a proximidade. É apenas necessário, cada um de nós constrói seu próprio caminho, a partir de si mesmo. Neste caso eu sou o meu início, e também o meu fim. E para que tudo valha realmente a pena, que tudo seja feito com amor, esse sentimento tangível que nos faz capazes de fazer coisas incríveis, que nos alimenta o espírito e as vontades, e claro, a velha companheira saudade, pois ela nos mantém ligados ao passado, às raízes, aos nossos amados. Portanto, eu sou metade amor e metade saudade por toda a minha vida. Amém.



Jo

Thursday, January 30, 2014

Até breve

Não ouso dizer adeus, pois particularmente essa palavra tem uma conotação muito forte, sempre me traz um sentimento de finitude, como se dizer adeus fosse uma despedida definitiva. Tenho medo dessa palavra, me causa arrepios. Enfim, hoje foi um desses dias fatídicos que eu tive que me despedir, não disse adeus, apenas um "até breve" e ainda mais um "até breve, mamãe".
Estou escrevendo para derramar um pouco desse transbordamento de sentimentos, contudo, ainda assim eu não consigo definir em palavras o que estou sentindo.
Como uma pessoa pode preencher todas as lacunas de sua vida? Como alguém pode chegar ao ponto de te energizar e te enfraquecer? Minha energia para enfrentar todos os problemas que me surgirem está renovada, mas me sinto fraca de saudade, fraca de uma dependência materna, sou declaradamente uma filhinha de mamãe. Quando ela vem me ver, é como se a minha vida começasse um novo ciclo, de amor, de esperança, de paz e principalmente de força, ela é inegavelmente o meu pilar, e a cada despedida se torna mais difícil, me fazendo questionar como eu consigo viver tanto tempo longe dela. Mais e mais difícil se despedir. Sei que vai passar, que voltarei ao meu cotidiano resignada, e que haverão outros encontros e despedidas, é um preço a pagar por uma escolha. Tudo que eu quero é que ela venha sempre mais feliz e retorne, se for possível, mais feliz ainda.