Thursday, March 15, 2012

Tempo x Tempo

No dia 24 de fevereiro eu aniversariei 5 anos morando aqui no Rio Grande do Sul. Mais precisamente em Garibaldi, já a caminho do sexto ano, contudo sou obrigada a confessar que apenas agora fui levada a considerar como real a possibilidade de retornar a minha casa materna. Não por desejar, mas levada pelas circunstâncias adversas as quais passei nos últimos meses. Um problema aqui, outro "pepino" acolá, foram reunindo formas e agregando peso em minhas costas, que até um tempo atrás achei que pudesse suportar qualquer coisa. 
Vamos ao início de tudo, mas não tão longe! Que tal meus 15 anos? Sim, meus doces 15 anos de idade, adolescente vaidosa, viciada em livros de todos os tipos, cheia de amigos, nunca sozinha, nem precisava sair de casa, vinha sempre alguma amiga pra dar risada comigo, sempre! Não vou dizer que não tive problemas, sim algumas dores, apenas o necessário para aprender a viver, porém o colo da minha mãe cicatrizava qualquer ferida, e em 2 minutos o problema deixava de existir... Naquela época eu não caía, eu não chorava com dor no coração, recordando agora, beirava a superficialidade comparado aos anos seguintes e seus desdobramentos. Por ser tão jovem e principalmente por simplesmente ignorar, não saber mais sobre o lado mais difícil da vida, posso dizer que eu era forte, muito forte. Mais adiante, cinco anos depois, cá encontro me, aos 20 começando a perceber a vida e temê-la, entretanto, ainda sem saber ao certo o quê. 
A adaptação. Mudanças, a ausência dos amigos, de ter alguém para conversar, confiar. Perceber que as pessoas podem ser más, mesmo que você não faça qualquer coisa ruim, ser rotulada, julgada simplesmente por ser diferente. "Por sorrir demais". Então mais um ano e o choro veio, aquele choro que implora por um colo, aquele choro que não o tem, chorar sozinha também dói. Muito.
Mas isso já passou, embora deva confessar ainda que eu me apoiei erroneamente em pessoas que também podiam estar carregando seus fardos sem precisar acrescentar os meus.


O que quero dizer com tudo isso, é que apesar do que dizem quando se referem a ter coragem para morar longe da família, viver sozinha, se sustentar e blá blá blá, eu não me tornei mais forte nem nada disso tão digno de admiração. Apenas posso afirmar que me tornei mais sensível, entendi o estado de ser fraca, aprendi a rezar implorando a Deus não para que resolvesse meus problemas, mas que me desse forças para encará-los. Afinal nem toda vitória é garantida na luta pela vida, certas lições valiosíssimas, vêm em forma de dissabores... Quer você goste ou não. E eu nunca apreciei hahaha, porém compreendi. Também aprendi a desabafar, explodir, botar tudo pra fora, porque tristeza trancada demais acaba se convertendo em doença, com saúde não se brinca, se mantem! Ficar triste e doente ao mesmo tempo é extremamente difícil, tornando a tentativa de se reerguer mais trabalhosa e dolorosa. Tudo isso parece um paradoxo, pode até ser, mas quando conseguimos enxergar nossas próprias fraquezas é aí que podemos sim vencer, uma vez que procuramos remediar o nosso próprio calcanhar de Aquiles.




Minhas palavras começam a ficar cada vez mais redundantes quando tento me explicar, mas a vida, não somente a minha, como a de todos, é ridiculamente paradoxal, cheia de clichês e estranhezas. Ainda bem, pois graças a esse fluxo inconstante é que o mundo é uma miscelânea de tudo quanto é maravilhas, diversos gostos e sabores, pessoas e suas escolhas... E também tem o Tempo, ó o tempo! hahaha você pode lutar contra tudo, menos contra o tempo, ele é realmente esmagador, surpreendente. Observe-se agora, e daqui uns cinco anos, recorde este momento de observação de si, e compare, com certeza as mudanças serão gritantes. Isso me consola, pois mesmo rodeada de percalços negativos, o tempo os levará e quem sabe, se  transformarão em doces consequências.


Posso não ser aquele rochedo à beira mar sofrendo erosão e toda sorte de fenômenos naturais que desgastam pouco a pouco sua estrutura, e que mesmo assim se mantem firme por séculos. Eu não vou durar séculos, se vier uma ventania muito forte eu vou cair, contudo quando o vento forte passar, vou me reerguer naturalmente, machucada talvez, mas normal como todo mundo.

Então, eu digo amém ao tempo.




Jomara  Lopes